segunda-feira, 13 de maio de 2013

Trinta



Chegar aos trinta era algo que parecia tão longe. Quando enfim chega, se pensa: não imaginava que seria tão logo!

Olha-se pra trás e se recorda quando criança, da adolescência, da rebeldia sem causa e principalmente da juventude, dos vinte poucos anos, onde se sonhava muito e planejava-se pouco.

Hoje, aos trinta, continua a sonhar, mas já se sabe que nem tudo poderá ser. A ansiedade de tudo viver já não o consome mais, prefere viver com a paciência e a alegria de um dia de cada vez.

Sonhar aos trinta é ir ao encontro das estrelas, mesmo sabendo que nunca irá alcançá-las. O encantamento não é tocá-las, é admirá-las de diferentes maneiras.

Gisele Lima, 13/05/2013

Para Marcos pelo seu aniversário.

Parabéns!

Felicidades e muita saúde!

Quero ir ao encontro de muitas estrelas ao seu lado!

Te amo!



Gisele Lima

segunda-feira, 25 de março de 2013

Renzo Rossi



A vida
Não tem Cabelos Ruivos para nos agarrarmos
Nem Príncipes na sua máxima perfeição.
A vida é mais do que isso
Temos Renzo
Com seus acertos e erros,
Temos Rossi
Com suas maças vermelhas e seu sorriso farto!
A vida é breve e intensa,
e não nos escapa
porque nos deixa Saudade.

Gisele Oliveira, 25/03/2013

sábado, 23 de março de 2013

Ausência



Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a
rouba mais de mim. 


Carlos Drummond de Andrade

domingo, 4 de novembro de 2012

Ven tu...

Ven tu...

Tu sabes ser brisa.
Para dar frescor ao meu dia.
Tu sabes ser ventania.
Para minha vida não virar monotonia.
Tu sabes ser calmaria.
Para lembrar que a vida sempre muda a cada esquina.
 


Gisele Oliveira - 04/11/2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Devaneios Táteis


A boca pensou
Vontade.
A pele pensou
Sensibilidade.
O olfato pensou
Inspiração.
O olhar pensou
Expectativa.
O pensar sentiu
Memórias,
Lembranças e
Sonhos.

Gisele Lima, 17/05/2012.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Marco da Passagem

 
Mal cheguei e já estou partindo. Início difícil, rompimentos, saudades, abandono dos velhos modos, o aprender de novos.
Em pouco tempo descobri que Barão Geraldo era passagem, estradas entrecortavam o que era passageiro. Tudo aqui é passageiro: as pessoas indo e vindo. Algumas passam por aqui mais vezes: graduações, pós-graduações. No entanto são nos feriados e finais de semanas que elas se recordam que tem que voltar para casa.
Foi nesses dias só, que me dei conta que eu também havia passado e não apenas de passagem, mas para não mais voltar. Hoje tenho asas, estou aprendendo a voar, quero voar alto.
Apesar do quanto Barão Geraldo é passageiro, foi no Instituto de Artes da Unicamp que fui Marcada por um Marimbondo. Esse Marco me marcou por uma engenharia, não mecânica, mas de sentimentos, de cuidados, de cafés da manhã, de almoços, de jantares, cervejas e vinhos.
Foi de maneira singela, calma, engraçada que o Marimbondo foi me Marcando. Então tudo que era passageiro em Barão Geraldo passou a ter endereço, nome, telefone, saudade..., enfim, história. Mas o Marimbondo também está de passagem, ele também vai voltar para o seu lar.
A passagem por Barão Geraldo tem fortalecido minhas asas e imprimido suas lembranças. Hoje, sei que me tornei uma Borboleta independente, altiva e repleta de sonhos e responsabilidades.
Volto para casa na expectativa de que nem tudo que se passa em Barão Geraldo seja passageiro. Que os bons ventos que me trouxeram e me transformaram em Borboleta, levem o Marimbondo Marcante ao meu encontro.
O impressionante de tudo é que era para ser passageiro, mas me Marcou.
Gisele Lima. 06/11/2011.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Saudade - por Damário da Cruz

Deixarei
a lua acesa
na varanda.


No meu retorno
dos becos noturnos
e do lual de Luciano,
evitarei tropeçar
na tua ausência...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Raio

Aconteceu-me uma vez, num cruzamento, no meio da multidão, no vaivém.

Parei, pisquei os olhos: não entendia nada. Nada, rigorosamente nada: não entendia as razões das coisas, dos homens, era tudo sem sentido, absurdo. E comecei a rir.

Para mim, o estranho naquele momento foi que eu não tivesse percebido isso antes. E tivesse até então aceitado tudo: semáforos, veículos, cartazes, fardas, monumentos, essas coisas tão afastadas do significado do mundo, como se houvesse uma necessidade, uma coerência que ligasse umas às outras.

Então o riso morreu em minha garganta, corei de vergonha. Gesticulei, para chamar a atenção dos passantes e - Parem um momento! - gritei - Tem algo estranho! Está tudo errado! Fazemos coisas absurdas! Este não pode ser o caminho certo! Onde vamos acabar?

As pessoas pararam ao meu redor, me examinavam, curiosas. Eu continuava ali no meio, gesticulava, ansioso para me explicar, torná-las participantes do raio que me iluminara de repente: e ficava quieto. Quieto, porque no momento em que levantei os braços e abri a boca a grande revelação foi como que engolida e as palavras saíram de mim assim, de chofre.

- E daí? - perguntaram as pessoas. O que o senhor quer dizer? Está tudo no lugar. Está tudo andando como deve andar. Cada coisa é consequência de outra. Cada coisa está vinculada às outras. Não vemos nada de absurdo ou de injustificado!

E ali fiquei, perdido, porque diante dos meus olhos tudo voltara ao seu devido lugar e tudo me parecia natural, semáforos, monumentos, fardas, arranha-céus, trilhos de trem, mendigos, passeatas; e no entanto não me sentia tranquilo, mas atormentado. 

- Desculpem - respondi - Talvez eu é que tenha me enganado. Tive a impressão. Mas está tudo no lugar. Desculpem. - E me afastei entre seus olhares severos.

Mas, mesmo agora, toda vez (frequentemente) que me acontece não entender alguma coisa, então, instintivamente, me vem  a esperança de que seja de novo a boa ocasião para que eu volte ao estado em que não entendia mais nada, para me apoderar dessa sabedoria diferente, encontrada e perdida no mesmo instante.

Italo Calvino.

(Após um café com Calvino, eu fiquei eletrocutada pelos semáforos, pela rua larga, pelos transeuntes da ordem que mantém Avenida Paulista.)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ame - Paulinho da Viola


Ame
Seja como for
Sem medo de sofrer
Pintou desilusão
Não tenha medo não
O tempo poderá lhe dizer
Que tudo
Traz alguma dor
E o bem de revelar
Que tal felicidade
Sempre tão fugaz
A gente tem que conquistar
Por que se negar?
Com tanto querer?
Por que não se dar
Por quê?
Por que recusar
A luz em você
Deixar pra depois
Chorar... pra quê?
Paulinho da Viola

domingo, 30 de outubro de 2011

No sangue e na áurea

Sua sinceridade é a qualidade que me desestabiliza.
Seu companheirismo é a certeza de que não estou sozinha.
Sua alegria é a energia que me contagia.
Seu amor está comigo a cada dia.

Eu sou parte dela.
Ela está em mim
No sangue,
na áurea de ser.

Carrego de ti
mais que fisionomia,
mais que biologia.
Carrego o que não se toca,
o que não se quantifica,
mas o que me qualifica.



Gisele Lima, 24/10/2011. Parabéns, mãe!