quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sortilégio


Eu digo não
e você aceita.
Eu digo não ao meu não
e você não me rejeita.

Você me escreve
e não me impeli.
Eu te escrevo
e reescrevo.

Você some.
Reaparece.
Nada diz
mil conversas.
E os nós entre nós?
Nada desfeito.

Isso me pulsa
e repulsa.
Magia
de dor
e fantasia.

O enlevo muda
o olhar
o pensar
e o lugar.

No fim
descubro:
o encanto não é você.
A bruxa sou eu.

Gisele Lima 28/07/2011.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O tempo que não se perdeu

Não se contam as ilusões
nem as compreensões amargas,
não há medida para contar
o que não podia acontecer-nos,
o que nos rondou como besouro
sem que tivéssemos percebido
do que estávamos perdendo.

Perder até perder a vida
é viver a vida e a morte
não são coisas passageiras
mas sim constantes, evidentes,
a continuidade do vazio,
o silêncio em que cai tudo
e por fim nós mesmos caímos.

Ai! o que esteve tão cerca
sem que pudéssemos saber.
Ai! o que não podia ser
quando talvez podia ser.

Tantas asas circunvoaram
as montanhas da tristeza
e tantas rodas sacudiram
a estrada do destino
que já não há nada a perder.

Terminaram-se os lamentos.

Pablo Neruda - O coração Amarelo

Ao ler esse poema pensei muito em Amy Winehouse...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Jardim de Alá dos Orixás

O mar estava céu
E o céu estava arco-íris

No Jardim de Alá o encontro aconteceu
Iemanjá de mãos dadas com Oxumaré.

Terna e forte
Iemanjá espelhava a beleza
Oxumaré agradecia
Com seus sorrisos azuis, lilás, salmão...

O céu no mar me envolvia
O vai e vem da brancura plena da sua espuma me dizia
Nada é tão ruim assim
Depois de uma onda
A espuma branda e firme revolve tudo.

Gisele Lima 08/07/2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Luz Alheia

Não sou
tua estrela guia


Algum cometa
desvia olhares,
alguma noite
é mais escura,
algum céu
é leviano.


Não sou
teu porto seguro.


Algum farol
seduz a proa,
alguma gaivota
voa à-toa,
algum vento
é fugaz
.


Damário Da Cruz