quarta-feira, 18 de maio de 2011

Volúpia

A língua em lâmina
Cortava, ácida,
Em pleno crepúsculo
O lombo da maçã


Feria a ferro
a ferida fulcrada


Na calada da caça
A pele marcada


Pelica, luvas
O crime perfeito


O gume da espada - sangria
O lume da brasa - luzia


Escorria o pecado entre os dentes
E um sorriso de lambedeir
Envergonhava Calígula
Atrás da porta.




Por Débora Menezes Alcântara*

*Mulher sensível, intensa e, acima de tudo, retada. Uma grande amiga do peito.






No faro do desejo

Olho no olho
Boca carnuda entre dentes
Hálito quente
Lábios, língua, saliva
Me devoro ao pensar em te morder, chupar e estraçalhar o tesão que me consome

Mordo seu queixo
Minha boca quente desliza na sua orelha fria
O seu pescoço lambe minha língua

Chupo seu peito
Sinto o prazer do seu desejo
Que lateja no seu gemido

Seu corpo se impulsiona sobre o meu dizendo:
Me coma porque quero te comer.
Inalo o seu sovaco
Como uma cachorra no cio

Cheiro seu sexo
Esfrego a maciez da sua cabeça no meu céu
Sorvo o teu desejo no meu

Me pega com força
E cintila o olhar de garanhão
Me bate na cara
E enfia a vontade toda.

Suga os meus lábios
E enlaça o buraco quente
Que mina o tesão em ser arregaçado

A piranha te olha
O que te move com mais força
Beijos e bocas
Lábios e penetrações

Te como e sou comida
No faro do desejo
Na sofreguidão do gozo
Nossos sexos latejam
Nossos corpos se contorcem de
Entrega.

Gisele Lima 11/05/2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ariana

Ela é o tipo perfeito da ariana,
Branca, nevada, púbere, mimosa,
A carne exuberante e capitosa
Trescala a essência que de si dimana.

As níveas pomas do candor da rosa,
Rendilhando-lhe o colo de sultana,
Emergem da camisa cetinosa
Entre as rendas sutis de filigrana.

Dorme talvez. Em flácido abandono
Lembra formosa no seu casto sono
A languidez dormente da indiana,

Enquanto o amante pálido, a seu lado
Medita, a fronte triste, o olhar velado
No Mistério da Carne Soberana

Augusto dos Anjos