quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Saudade - por Damário da Cruz

Deixarei
a lua acesa
na varanda.


No meu retorno
dos becos noturnos
e do lual de Luciano,
evitarei tropeçar
na tua ausência...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Raio

Aconteceu-me uma vez, num cruzamento, no meio da multidão, no vaivém.

Parei, pisquei os olhos: não entendia nada. Nada, rigorosamente nada: não entendia as razões das coisas, dos homens, era tudo sem sentido, absurdo. E comecei a rir.

Para mim, o estranho naquele momento foi que eu não tivesse percebido isso antes. E tivesse até então aceitado tudo: semáforos, veículos, cartazes, fardas, monumentos, essas coisas tão afastadas do significado do mundo, como se houvesse uma necessidade, uma coerência que ligasse umas às outras.

Então o riso morreu em minha garganta, corei de vergonha. Gesticulei, para chamar a atenção dos passantes e - Parem um momento! - gritei - Tem algo estranho! Está tudo errado! Fazemos coisas absurdas! Este não pode ser o caminho certo! Onde vamos acabar?

As pessoas pararam ao meu redor, me examinavam, curiosas. Eu continuava ali no meio, gesticulava, ansioso para me explicar, torná-las participantes do raio que me iluminara de repente: e ficava quieto. Quieto, porque no momento em que levantei os braços e abri a boca a grande revelação foi como que engolida e as palavras saíram de mim assim, de chofre.

- E daí? - perguntaram as pessoas. O que o senhor quer dizer? Está tudo no lugar. Está tudo andando como deve andar. Cada coisa é consequência de outra. Cada coisa está vinculada às outras. Não vemos nada de absurdo ou de injustificado!

E ali fiquei, perdido, porque diante dos meus olhos tudo voltara ao seu devido lugar e tudo me parecia natural, semáforos, monumentos, fardas, arranha-céus, trilhos de trem, mendigos, passeatas; e no entanto não me sentia tranquilo, mas atormentado. 

- Desculpem - respondi - Talvez eu é que tenha me enganado. Tive a impressão. Mas está tudo no lugar. Desculpem. - E me afastei entre seus olhares severos.

Mas, mesmo agora, toda vez (frequentemente) que me acontece não entender alguma coisa, então, instintivamente, me vem  a esperança de que seja de novo a boa ocasião para que eu volte ao estado em que não entendia mais nada, para me apoderar dessa sabedoria diferente, encontrada e perdida no mesmo instante.

Italo Calvino.

(Após um café com Calvino, eu fiquei eletrocutada pelos semáforos, pela rua larga, pelos transeuntes da ordem que mantém Avenida Paulista.)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ame - Paulinho da Viola


Ame
Seja como for
Sem medo de sofrer
Pintou desilusão
Não tenha medo não
O tempo poderá lhe dizer
Que tudo
Traz alguma dor
E o bem de revelar
Que tal felicidade
Sempre tão fugaz
A gente tem que conquistar
Por que se negar?
Com tanto querer?
Por que não se dar
Por quê?
Por que recusar
A luz em você
Deixar pra depois
Chorar... pra quê?
Paulinho da Viola

domingo, 30 de outubro de 2011

No sangue e na áurea

Sua sinceridade é a qualidade que me desestabiliza.
Seu companheirismo é a certeza de que não estou sozinha.
Sua alegria é a energia que me contagia.
Seu amor está comigo a cada dia.

Eu sou parte dela.
Ela está em mim
No sangue,
na áurea de ser.

Carrego de ti
mais que fisionomia,
mais que biologia.
Carrego o que não se toca,
o que não se quantifica,
mas o que me qualifica.



Gisele Lima, 24/10/2011. Parabéns, mãe!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quando o Amor Vacila


Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo teu jogo triste.
As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria.
Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.
Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.
Amo teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual.
Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.
Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O olhar ofuscante


As lembranças confusas e tortas não me deixaram dormir tranquilamente essa noite. Acordei com a sensação que algo precisava ser feito. Relutei bastante, mas aqui estou. Preciso dizer o que tanto me acompanha todos esses dias, o que me aconchega e me consome.

Eu me permitir mergulhar no seu ser, me permitir olhar na fresta do dito e o não dito. Fui me enredando em ver além do que você quis me mostrar ou achou mais prudente me esconder. Vi muitas coisas, muitas gostei, outras nem tanto.

Lembro o quanto foi prazerosa a nossa ida a praia de Stella Maris. O quanto foram longas nossas conversas sobre política, sobre a Bahia, sobre a mídia... Tantas conversas e tão pouco sobre nós!

A surpresa se deu no momento em que saboreávamos uma deliciosa moqueca na Boca do Rio mirando o decadente Aeroclube. Apesar de estar em frangalhos, o conjunto da vista não era feio, e foi em meio ao que se via e conversávamos que você se mostrou por um instante. Um olhar saudoso se formou ao relatar as idas com seu pai para pescar e quando o propósito não era alcançado sempre se tinha no caminho para casa pequenas feiras que socorriam os aventurados pescadores. Ao lembrar disso me ocorreu que nos breves momentos em que estivemos juntos você pouco falava de sua mãe.

Andar de carro era também acariciar sua cabeleira cheia, preta, encaracolada, e seus olhos se dividiam entre a direção e os olhares safados ou carinhosos dirigidos a mim. Os beijos muitas vezes tornavam as pistas retas em tortuosas. 
  
Mas estava nos olhos a ponte para me jogar no mar sem fim do seu Eu.  Por de trás daqueles aros pretos e lentes embaçadas tinha um olhar de luz intensa que ofuscava nossa visão ao mirarmos com afinco para dentro dele. Os olhos que tudo queria ver e se esconder.

Me ousei tirar seus óculos e me aproximar aos seus. Foi a partir daí que me perdi. Foi nessa luz intensa, viva e ofuscante que me via encegueirada pela pessoa doce que se esquivava através dos discursos políticos. No entanto não me contentava em te contemplar, te esmiucei em mais detalhes, foi aonde pude ver o egoísmo, a vaidade que se sobressaia nesses mesmos discursos. Apesar de tudo não me incomodava com seus defeitos, eles faziam parte de você.

A doçura do seu olhar enciumado sem tecer uma palavra, o olhar de criança ao se tornar o meu centro de atenção, os beijos de surpresa, a certeza da sua mão apertando a minha, a tranquilidade da sua companhia, as noites sem fim de conversas a mil, os olhares silenciosos que diziam muito mais do que mil palavras tornavam os seus defeitos passíveis de serem compreendidos. O contemplar e observar fizeram de ti mais bonito do que aparenta ser: um homem curioso, ambicioso, sonhador, medroso e carente.

Desde então não ouço mais Caymmi e suas canções praieiras como outrora, não me delicio com os Novos Baianos sem antes me lembrar da cabeleira negra, cheia e encaracolada do seu pai “Moraes Moreira” que você herdou. Essas são memórias que não são minhas, mas que compõe parte do seu Eu em mim.
 
Esse seu Eu que ficou em mim não te pertence e nem a mim mesmo, ele faz parte dessa memória que aqui relato. Talvez nos anos vindouros não me reconheça nessas palavras que aqui escrevo. Se o acaso provocar o nosso reencontro quem sabe poderemos ler juntos essas palavras que pertencem ao Tempo.

Gisele Lima 21/08/2011

domingo, 18 de setembro de 2011

Retiros Espirituais - Gilberto Gil


Nos meus retiros espirituais descubro certas coisas tão normais
Como estar defronte de uma coisa e ficar
Horas à fio com ela, bárbara, bela, tela de TV
Você há de achar gozado Barbarela dita assim dessa maneira
Brincadeira sem nexo que gente maluca gosta de fazer
Eu diria mais tudo não passa dos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro
Censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido 
Nos meus retiros espirituais descubro certas coisas anormais
Como alguns instantes vacilantes e só
Só com você e comigo, pouco faltando, devendo chegar
Um momento novo, vento devastando como um sonho
Sobre a destruição de tudo, que gente maluca gosta de sonhar
Eu diria sonhar com você jaz nos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro
Censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido 
Nos meus retiros espirituais, descubro certas coisas tão banais
Como ter problemas, ser o mesmo que não
Resolver tê-los é ter, resolver ignorá-los é ter
Você há de achar gozado ter que resolver de ambos os lados
De minha equação, que gente maluca tem que resolver
Eu diria o problema se reduz aos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro
Censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Aparição Lunática

Na beleza da noite
Ela surge.
Amarelo-fogo
Com sua rodada névoa de saia

Ela gira
Gira mar
Gira mundo,
Gira fundo
Aquecendo paixão, saudade... tudo

Seduzindo olhares
Enchendo os de quem vê
E acariciando os de quem não mais crê

Sua rodada saia
Cresce,
Transbranquece

Cultivando
E cativando
O lunático Tempo
a contemplar
a passagem
do seu luar.

Gisele Lima 13/09/2011

sábado, 3 de setembro de 2011

A dor desvelada

O café acabou
O vinho acabou
Restam apenas duas cigarrilhas

O coração ainda bate
A dor ainda palpita
A saudade lacrimeja

A noite não acaba
Ubaldo de risos
Salva dor de lembranças
Rio de sonhos

Meios e e-mails
Face-papos
Batebooks
Skypando nas webs
Da saudade.

A dor dilacerante de um
Ponto Final
Que no peito não se finda.

Palavras, poesias... desvelam
O sortilégio
De se querer
E não ser querida.

Gisele Lima 03/09/2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011


Preciso aprender a só ser

Gilberto Gil

Sabe, gente.
É tanta coisa para gente saber.
O que cantar, como andar, onde ir.
O que dizer, o que calar, a quem querer.

Sabe, gente.
É tanta coisa que eu fico sem jeito.
Sou eu sozinho e esse nó no peito.
Já desfeito em lágrimas que eu luto para esconder.

Sabe, gente.
Eu sei que no fundo o problema é só da gente.
E só do coração dizer não, quando a mente
Tenta nos levar pra casa do sofrer.

E quando escutar um samba-canção:
Assim como: "Eu preciso aprender a ser só"
Reagir e ouvir o coração responder:
"Eu preciso aprender a só ser".



sábado, 27 de agosto de 2011

Nevoeiro das Ausências

Não paro de pensar...
Escrever?
O que?!
Nada me basta.
Procuro algo que não está em mim
Não está lá fora!
O que me falta?
Custo a me entender.


As vezes prefiro olhar para o outro
Ao olhar para dentro fico tonta
                 Tonta
Tonta
                 Tonta


Pronto!
Não sei mais o que vejo.


Será que falta algo?!
Ah...! As ausências
Nós a que criamos!
Ou será que são criadas?!


Tempo
              Muda
Mundo
                             Muda
Gente                  Muda
              Muda
Vista                    Muda
              Muda
Ausência             Muda
Muda


Dia de sol - Camuflado
Dia nublado - Penumbra
Dia de Nevoeiro
Nada a se ver
Só a se perder.


Nevoeiro das palavras
Ocupa
A ausência presente.
Não preenchida.


Gisele Lima 27/08/2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Vela da Saudade

Acende
Mas não preenche


Queima
Mas não esquenta


Incendeia
Incendeia...
Quando o vento das lembranças nos arrodeia.


Gisele Lima 10/08/2011


Em meio a luz de vela sinto a saudade que me atropela e a solidão dos pensamentos que me fazem companhia.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sortilégio


Eu digo não
e você aceita.
Eu digo não ao meu não
e você não me rejeita.

Você me escreve
e não me impeli.
Eu te escrevo
e reescrevo.

Você some.
Reaparece.
Nada diz
mil conversas.
E os nós entre nós?
Nada desfeito.

Isso me pulsa
e repulsa.
Magia
de dor
e fantasia.

O enlevo muda
o olhar
o pensar
e o lugar.

No fim
descubro:
o encanto não é você.
A bruxa sou eu.

Gisele Lima 28/07/2011.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O tempo que não se perdeu

Não se contam as ilusões
nem as compreensões amargas,
não há medida para contar
o que não podia acontecer-nos,
o que nos rondou como besouro
sem que tivéssemos percebido
do que estávamos perdendo.

Perder até perder a vida
é viver a vida e a morte
não são coisas passageiras
mas sim constantes, evidentes,
a continuidade do vazio,
o silêncio em que cai tudo
e por fim nós mesmos caímos.

Ai! o que esteve tão cerca
sem que pudéssemos saber.
Ai! o que não podia ser
quando talvez podia ser.

Tantas asas circunvoaram
as montanhas da tristeza
e tantas rodas sacudiram
a estrada do destino
que já não há nada a perder.

Terminaram-se os lamentos.

Pablo Neruda - O coração Amarelo

Ao ler esse poema pensei muito em Amy Winehouse...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Jardim de Alá dos Orixás

O mar estava céu
E o céu estava arco-íris

No Jardim de Alá o encontro aconteceu
Iemanjá de mãos dadas com Oxumaré.

Terna e forte
Iemanjá espelhava a beleza
Oxumaré agradecia
Com seus sorrisos azuis, lilás, salmão...

O céu no mar me envolvia
O vai e vem da brancura plena da sua espuma me dizia
Nada é tão ruim assim
Depois de uma onda
A espuma branda e firme revolve tudo.

Gisele Lima 08/07/2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Luz Alheia

Não sou
tua estrela guia


Algum cometa
desvia olhares,
alguma noite
é mais escura,
algum céu
é leviano.


Não sou
teu porto seguro.


Algum farol
seduz a proa,
alguma gaivota
voa à-toa,
algum vento
é fugaz
.


Damário Da Cruz

sábado, 25 de junho de 2011

Silêncio - Papel em branco

Pensamentos entrecortados
Lembranças presentes
Medo do esquecimento

Mas o que dizer,
Se já foi dito tanto.

Então me resta a espera
Espera silenciosa

Como pode o silêncio dizer tanto?
O Silêncio é um papel em branco com suas palavras em braile.

Gisele Lima 25/06/2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

Elemento Fogo - Elemento Ar

Início do círculo:
Fogo
Luz,
Calor
Fugaz.

Atrai
Pelo seu brilho
Pelo calor da iniciativa

Intuitivo:
Amante da descoberta.
Caloroso pela sua coragem

Fugidio:
Envolvente pela sua liberdade
Que aquece, mas não se prende.

Sua paixão: Ar
Tão fugidio quanto
Enamorado pelas idéias
Livre como elas

Ar
Vento
Arrebata
Mas também acaricia
Brisa

Fogo e Ar
Fogo se nutri
Ar se aquece
Ambos se agitam
Se transformam sempre

Sem idéias não tem iniciativa
Sem iniciativa as idéias não vingam

Que o fogo dos meus dias encontre
A volatilidade das ideias do seu ar.


Gisele Lima 14/06/2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Volúpia

A língua em lâmina
Cortava, ácida,
Em pleno crepúsculo
O lombo da maçã


Feria a ferro
a ferida fulcrada


Na calada da caça
A pele marcada


Pelica, luvas
O crime perfeito


O gume da espada - sangria
O lume da brasa - luzia


Escorria o pecado entre os dentes
E um sorriso de lambedeir
Envergonhava Calígula
Atrás da porta.




Por Débora Menezes Alcântara*

*Mulher sensível, intensa e, acima de tudo, retada. Uma grande amiga do peito.






No faro do desejo

Olho no olho
Boca carnuda entre dentes
Hálito quente
Lábios, língua, saliva
Me devoro ao pensar em te morder, chupar e estraçalhar o tesão que me consome

Mordo seu queixo
Minha boca quente desliza na sua orelha fria
O seu pescoço lambe minha língua

Chupo seu peito
Sinto o prazer do seu desejo
Que lateja no seu gemido

Seu corpo se impulsiona sobre o meu dizendo:
Me coma porque quero te comer.
Inalo o seu sovaco
Como uma cachorra no cio

Cheiro seu sexo
Esfrego a maciez da sua cabeça no meu céu
Sorvo o teu desejo no meu

Me pega com força
E cintila o olhar de garanhão
Me bate na cara
E enfia a vontade toda.

Suga os meus lábios
E enlaça o buraco quente
Que mina o tesão em ser arregaçado

A piranha te olha
O que te move com mais força
Beijos e bocas
Lábios e penetrações

Te como e sou comida
No faro do desejo
Na sofreguidão do gozo
Nossos sexos latejam
Nossos corpos se contorcem de
Entrega.

Gisele Lima 11/05/2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ariana

Ela é o tipo perfeito da ariana,
Branca, nevada, púbere, mimosa,
A carne exuberante e capitosa
Trescala a essência que de si dimana.

As níveas pomas do candor da rosa,
Rendilhando-lhe o colo de sultana,
Emergem da camisa cetinosa
Entre as rendas sutis de filigrana.

Dorme talvez. Em flácido abandono
Lembra formosa no seu casto sono
A languidez dormente da indiana,

Enquanto o amante pálido, a seu lado
Medita, a fronte triste, o olhar velado
No Mistério da Carne Soberana

Augusto dos Anjos