sábado, 30 de abril de 2011

A despedida

Meu olhar
De que quero ficar um pouco mais,
De que não quero deixar o que está tão bom.
Passo as mãos no cabelo e cintilo um olhar de quem não acredita que tem que ir.
Olho, intensamente, como se pudesse tecer em minha memória cada pintinha e cada olhar do meu Desejo. 


Nesse instante, senti a eternidade do tempo, senti tudo, nada me escapava: cada brisa que acariciava os seus cabelos, cada olhar de entrega e de medo em entrar na profundeza dos meus e não saber mais voltar. Cada toque, cada cheiro era tomado como se não tivesse fim, não pelo seu término, mas pela sua plenitude de estar e viver as emoções tanto as minhas quanto as suas, como se fosse um campo aberto em que cada um soubesse o que o outro pensava e sentia, sem barreiras. Como se o universo fosse todo esse transbordar eloquente de desejo, carinho, amor, saudade e dor de nós dois.

Toda eternidade esteve ali, plena, intensa. E transfigurou a minha partida.
Parti, os meus objetivos prevaleceram, no entanto a despedida me acompanha em cada conquista, como se o gosto destas pudesse ser mais doce.

Gisele Lima 30/04/2011

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